Jamais cantarei em outra história, canções que um dia embalaram nosso sono sereno.
Guardarei, em um compartimento secreto, todas as palavras que ouvi, no aconchego do abraço, ao pé do ouvido.
Lá também haverá espaço para tudo que nunca precisou ser dito, naqueles tantos momentos que, de coração colado, as palavras se tornaram dispensáveis.
Talvez tenha chegado a hora de encaixotar as cartas, os cd's os livros e as memórias.
Uma âncora, na qual até hoje está escrito "mágoa" interrompeu nossa viagem. Nosso navio de felicidade parou, a tempestade veio... Aquela caneca que outrora revezávamos tirando a água que entrava, tornou-se insufuciente.
Os esforços não foram em vão, mas consumiram as forças. Pulamos do barco e nadamos cada uma para um lado.
Hoje escrevo porque a saudade bate na porta. Sei que gritar não adianta, nos perdemos sem dar tempo de, ao menos, dar o endereço dos nossos corações.
Pode parecer algo tolo, ou talvez não, mas enquanto antes nos reconheciamos por instinto, hoje não fazemos nem com mapas.
Será que nadamos tanto pra morrer na praia?
Ou será que no final encontraremos uma bela ilha chamada "Recomeço" e la poderemos, enfim, reconstruir nosso conto de fadas?
